Estudo identifica origem genética do transtorno de personalidade borderline e muda visão dominante

Um estudo publicado na revista Nature Genetics, na terça-feira (21), confirmou que o transtorno de personalidade borderline (TPB) tem origem genética e não é explicado apenas por traumas, como se pensava até agora. A pesquisa reuniu dados de 12.339 pessoas diagnosticadas com a doença e mais de 1 milhão de controles, identificando 11 regiões no genoma humano ligadas à condição.

Ao focar em genes que influenciam o desenvolvimento cerebral e a comunicação entre neurônios, os pesquisadores apontaram nove genes prioritários para estudos futuros, entre eles FOXP2 e FOXP1. Essa abordagem genética, a maior já feita para o transtorno, foi reforçada por um segundo grupo com 685 pacientes e mais de 107 mil controles, ampliando a confiabilidade dos resultados.

Apesar da descoberta, os autores alertam que fatores ambientais continuam essenciais para o desenvolvimento do borderline, que resulta da interação entre biologia e experiências como violência e negligência. Em outras palavras, trauma ainda importa, mas não explica tudo — a ciência mostra que a genética também abre caminho na explicação da doença.

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